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OPINIÃO
VELHOS CARNAVAIS
CARLOS MOURA EM SUA COLUNA FALA SOBRE O CARNAVAL DE SERTÂNIA E PERGUNTA: CADÊ A "VELHA GUARDA"?
Carlos Moura Gomes*
Há quatro décadas, extamente em junho de 1970, participei nessas mesmas avenidas de um outro carnaval. Era o Carnaval do TRI; lembro-me que um grupo de torcedores saíu da casa do Dr. Airton em direção ao centro da cidade com muita música e alegria. Na época, era um adolescente de 14 anos, cursava a 4 série ginasial no excelente Ginásio Olavo Bilac, sob a direção o competente Pe. Cristiano.
Êita! Ainda guardo como recordação uma foto que tiramos no último dia de aula. Eulália, Lucidalva Xavier, Edmilson, Valdir Lafayete, Paulo Mariano, Nice, Regina Coelix, Fátima, Lucidalva Correia, Luciano Siqueira e outros.
Gostaria de destacar, com especial atenção um personagens que marcou aquela mágica página de nossas vidas: professor Geraldo.
Caro mestre, com a vossa aquiescência, permita-me adaptar um dos seus belos textos que ainda os mantenho com muito carinho:
\"por mais que haja esforço da parte de quem fala, ou escreve, a linguística humana jamais traduzirá este tão belo sentimento que é a SAUDADE\"
Saudozisticamente,
Carlos Moura Gomes março/2010
TEXTO SIMPLES PARA REFLEXÃO
Carlos Moura Gomes*
Domingo desses fui visitar um casal amigo e lá se encontravam seus quatro filhos, adolescentes, assistindo o Faustão. Gritava o ex-gordo da Globo que “banda tal” vendeu mais de quinhentas mil cópias; “cantor b” ganhou disco de platina com 1 milhão de cd’s em todo o mundo.
Infelizmente, ouvi quando o mais jovem, de 16 anos, exclamou: - Amanhã vou à loja comprar esse “som maneiro”. Realmente pude observar o incrível poder de convencimento e persuasão que tem a mídia sobre a sociedade. Infelizmente, esse poder é exercido, muitas vezes, com interesses perigosos.
Em relação ao jovem, alertamos que nunca devemos confundir fuga com diversão. Ouvir seu rádio; assistir tv; fazer Cooper; ler; ir aos estádios em dias de jogos, ao cinema ver um bom filme ou aplaudir a uma peça de teatro; conversar e, apreciar uma música de qualidade são ações que fazem bem à saúde. Lazer é uma diversão que você deve praticar, espontaneamente, buscando ampliar sua felicidade.
A luta que muitos de nós travamos é, exatamente, a de tornar as pessoas mais sensíveis e livres para opinar sobre o que lhes são oferecidos nos grandes meios de comunicação. Afinal, é a nossa música, é a nossa poesia que estão sendo ameaçadas por covardes empresários que, além de mercenários, são inimigos da arte e da cultura. Mas nem tudo tá perdido...
Ainda podemos registrar, mesmo em poucas emissoras de comunicação, gestos de inteligência e competência para mostrar nossa música de qualidade. O programa Rádio Vivo do último sábado colocou Moacyr Franco e Altemar Dutra para que os ouvintes decidissem “quem era o melhor”. Puxa vida! Ouvir a poesia de Jair Amorim, Evaldo Gouveia, Lupercínio Rodrigues, Sérgio Bittencourt e outros na interpretação dessas excelentes vozes da Música Popular Brasileira é, simplesmente, extraordinário! Aprecio todos os estilos e gêneros musicais, desde que tenham conteúdo e suas mensagens sejam úteis aos nossos ouvidos e sentimentos.
O Barão Vermelho tem uma bela canção, no estilo rock and roll que diz: “o que você come / o que você bebe / o que você... / o que você compra / o que você veste / o que você usa / com quem você anda / com quem você vive / com quem você fica / com quem você se envolve / ...Cuidado, cuidado / Senão você dança...”
Carlos Moura Gomes / fev 2010 Afogados da Ingazeira (PE)
DESCEM AS CORTINAS... O PALCO JÁ ESTÁ SEM OS PERSONAGENS PRINCIPAIS
Carlos Moura Gomes*
Mas... Calma! O carnaval não acabou; terminou, apenas, mais uma festa de momo. Ano que vem, se Deus permitir, estaremos juntos, novamente, dando alma e movimento às nossas fantasias da vida.
Durante os quatro dias circulei por diversos locais de nossa querida Afogados da Ingazeira. Ainda na sexta-feira, na movimentada Rua Manuel Borba, interceptei os rápidos e firmes passos de Dom Bisol; consegui atrair sua atenção num efêmero e proveitoso diálogo sobre o carnaval. Disse-me que “era a festa do povo”.
No sábado aplaudi um dos primeiros grupos na abertura oficial e pude observar a alegria de Merita executando suas improvisadas coreografias tão bem quanto embeleza os jardins do órgão onde trabalha.
No domingo, na Av. Rio Branco, cumprimentei o Desembargador conduzindo seu conservado fusquinha. Abracei uma criança de cinco anos que dançava o frevo com perfeição.
Na segunda-feira, no foco central, vi toda empolgação do Bloco Tô na Folia e respondi aos acenos do entusiasmado prefeito. Também ouvi, atentamente, o relato do bem produzido Tabaqueiro externando prazer ao ocultar sua verdadeira identidade.
E na terça-feira, último dia da festa mais popular do Brasil, assisti a Nação do Frevo tocar músicas novas e antigas. Nessa mesma tarde, consegui decifrar o difícil idioma de Orobós que, mesmo cometendo excessos, procurava alguém pra expressar seus sentimentos.
Foram várias troças e blocos com excelente comportamento, mostrando que a vida não pode passar em branco, desconsiderando as raízes e a cultura de um povo.
A natureza contribuiu enviando a chuva... Realmente ela nunca significou uma ameaça divina, e sim, um fenômeno espetacular.
Enfim, autoridades, repórteres, policiais e populares... As mais diferentes classes sociais misturavam-se no mágico espaço do carnaval afogadense, provando que todos são iguais quando vestem a verdadeira fantasia da humildade.
As festas populares nos deixam a certeza de que A VIDA É UM SONHO QUE NUNCA VAI TERMINAR...
Carlos Moura Gomes – fev/2010 / Afogados da Ingazeira (PE)
CARNAVAL COM PAZ, SAÚDE E UM VERDADEIRO AMOR
Carlos Moura Gomes*
O compositor Carlinhos Brown escreveu que “paz, carnaval, futebol / não mata, não engorda / e não faz mal / carnaval, futebol / se joga pra cima e vira sol...” Na verdade fala-se muito sobre o carnaval. Alguns chegam até relacionar a festa mais popular do Brasil com feitos satânicos. Bom, respeitamos todas as manifestações. Na verdade o carnaval é uma grande festa. Mesmo tendo sua origem em terras européias, essa cultura foi tomando corpo e alma, genuinamente, brasileira.
Ainda criança ouvia minha mãe cantarolar antigas marchinhas lembrando Chiquinha Gonzaga...”ô abre alas, que eu quero passar / eu sou da Lira, não posso negar / ô abre alas que eu quero passar, Rosas de Ouro é quem vai ganhar.”
Contava-me sobre o amor de Pierrot que desde criança era apaixonado por Colombina, mas nunca teve coragem de revelar seu amor. Ela, a Colombina, caiu na conversa e esperteza de Arlequim. Somente depois é que volta aos braços do seu verdadeiro amado enxugando suas lágrimas.
Na obra de Santa Rita Durão, Caramuru, um trecho relata: “quando a nau ganha o mar, várias índias, interessadas em Álvares Correia, lançam-se nas águas para acompanhá-lo. Moema, a mais bela de todas consegue chegar perto do navio. Agarrada ao leme brada todo seu amor não correspondido ao esquivo e cruel Caramuru. Implora para que ele dispare sobre ela seu raio. Ao dizer isso, desmaia e é sorvida pela água.”
Basílio da Gama, mostra em “O Uraguai” o fiel amor de Lindóia que se fez picar por uma serpente, morrendo logo em seguida, por não aceitar o assassinato covarde do seu esposo, o índio guerreiro Cacambo, e pra se livrar dos assédios do tirano Balda.
As ficções acima servem para nos mostrar as diferentes formas de amar. Também alertar para possíveis exageros, principalmente, de jovens desinformados. Nesse carnaval tomemos todas as precauções de segurança quanto ao uso de bebidas alcoólicas e a promiscuidade. Busque sempre um verdadeiro amor, isso sim, sem nunca desistir de sua conquista. Já dizia Carlos Drummond de Andrade “como nos enganamos fugindo ao amor! Como o desconhecemos, talvez com receio de enfrentar sua espada coruscante, seu formidável poder de penetrar o sangue e nele imprimir uma orquídea de fogo e lágrimas”.
Bom carnaval...
Carlos Moura Gomes – fev / 2010
Afogados da Ingazeira (PE)
MISTERIOSO CAMINHO DE PEDRAS E FLORES
Carlos Moura Gomes*
Já são mais de trinta dias de intensas chuvas que caem na capital paulista. Muitas famílias desabrigadas, várias vítimas fatais. Ultimamente tenho refletido muito sobre as catástrofes ocorridas pelo mundo afora. Isso mesmo! Alguém pode indagar: será que Nostradamus tinha razão quando divulgava, inclusive, data para o fim do mundo? Parece que essa teoria ganha força quando percebemos que as pessoas ficam sem esperança. Calma!
Parte da mídia tem certa parcela de culpa quando aceita e alimenta temas como:
“a) as profecias mostram um futuro escuro;
b) os cientistas, ou melhor, curiosos falam de sinais que nos deixam inquietos;
c) livros antigos dizem que o terceiro milênio será decisivo;
d) adivinhos vão à imprensa e proclamam fatos que vão acontecer”.
É certo que há quase dois séculos, Jesus afirmava: “não passará esta geração antes que tudo isto aconteça”. Bom, em épocas de sofrimento social esse desejo de “fim dos tempos” surge com mais intensidade, é certo também que diversos acontecimentos mundiais, colaboraram para nos deixar, no mínimo, impacientes. Afinal, não podemos ignorar a crise de valores éticos, a confusão econômica, os desencontros religiosos, o esfacelamento da sociedade e, o pior, o distanciamento das pessoas em relação ao Criador do Universo.
Na verdade o que tememos mesmo é a morte. Não teria havido “fim do mundo” para os judeus durante a segunda guerra mundial? E para os índios assassinados covardemente pelos ocupadores dessa terra Brasil? E os negros escravos não teriam vivido tempos de horror? Concluímos que o “fim do mundo” já ocorreu para vários povos e civilizações.
Porém, caso você acredite que vivemos uma época de incertezas, lembre-se que nossa vida terrena não é eterna. Obedecemos a lei da natureza, a Lei de Deus.
Guerras, chuvas excessivas, secas, conflitos sociais... Tudo isso já vivemos e sobrevivemos. É lógico que ainda hoje sentimos essas marcas e choramos as perdas. A esperança, principalmente, no Senhor nos levará a conquistas impossíveis e o medo, nunca nos vencerá.
O amor ao próximo e a certeza de que existe um poderoso Pai do nosso lado, são fatores indispensáveis para enfrentarmos essas intempéries da vida, inclusive as que nem irão acontecer, assim seremos vitoriosos nessa efêmera caminhada, ora de pedras, ora de flores.
Carlos Moura Gomes / Afogados da Ingazeira (PE)
AS DROGAS MATAM
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As Drogas estão acabando com a vida de muita gente. |
Hoje pela manhã surpreendi-me ao receber telefonema de um velho amigo. Infelizmente deu-me uma triste notícia: seu filho mais novo, recém admitido na Petrobrás, sofreu grave acidente de moto e veio a óbito. O que mais nos deixou perplexos foi que o resultado dos exames constatou que o jovem engenheiro tinha álcool e cocaína no organismo.
Nem todos entram nas drogas por problema familiar, revolta pessoal ou frustração na vida. A maioria, segundo pesquisas, é por simples curiosidade ou até mesmo influência de terceiros. Seria muito importante que todas as escolas, de primeiro e segundo graus, incluíssem em seus planejamentos pedagógicos palestras periódicas sobre os efeitos nocivos das drogas. E, sendo as drogas um problema de saúde, é obrigação dos órgãos competentes das três esferas, mostrarem à população como estão trabalhando esse assunto tão sério que, inclusive, representa uma ameaça para essa nova geração de jovens e adultos.
Segundo os especialistas, droga é toda substância que, introduzida no organismo, altera suas funções normais. Então, o álcool também é uma droga. E uma das mais antigas da humanidade. O Brasil é um dos campeões mundiais em acidentes de trânsito e, a maioria em conseqüência do uso de bebida alcoólica. Existe um Projeto de Lei, parado, na Câmara dos Deputados alterando para 21anos como idade mínima para obter o direito da carteira de habilitação. Países como a Finlândia, Noruega e Massachusetts (USA) restringiram a venda e a propaganda de bebidas alcoólicas e os índices de acidentes e agressões diminuíram significativamente.
Nos meus 54 anos descobri, dentre muitas coisas boas que a vida nos oferece, que se como alguns supõem que “beber é bom”, NÃO BEBER É INCONTESTAVELMENTE MELHOR. Faço esse relato porque vivi momentos terríveis quando estava no enganador e assimétrico caminho das bebidas. Consumi álcool dos 15 aos 49 anos de idade. Foram, portanto, 34 anos de pura ilusão e desgaste à saúde. Consegui sair dessa prisão psicológica e social, isso mesmo. Torna-se um caso de ordem mental e social. Mais saí. E, certamente, além da minha própria vontade, contei com a ajuda de meus familiares e, principalmente, do meu Senhor.
Alerto a todos os jovens que, por ventura, estejam sendo atraídos para esse terrível e enigmático caminho das drogas e das bebidas que por mais difícil que seja a batalha, por mais longe que um sonho possa estar, por mais acidentada que seja a estrada, há sempre uma forma de se chegar à vitória. Todos nós temos capacidade, inteligência, força e muita fé em Deus. Apostem em suas vontades e vencerão... Descubram a felicidade que existe dentro de vocês e curtam a vida sem vícios nem drogas.
*Carlos Moura Gomes e de
Afogados da Ingazeira (PE)
Jan/2010
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