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CONCURSO

JUSTIÇA MANTÉM CONCURSO DA POLÍCIA MILITAR

O juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública do Recife, Wagner Ramalho Procópio, negou o pedido do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para anular o concurso da Polícia Militar. Na decisão, publicada no início da noite desta terça-feira (9) no site do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), o magistrado alega que o fato de vários candidatos terem entrado para fazer a prova de conhecimentos portando celular – o que ia de encontro ao edital – não é suficiente para suspensão do certame.

“O concurso público, como qualquer procedimento administrativo, tem natureza e trâmite complexo, podendo surgir durante seu andamento algumas irregularidades. A questão é saber se a existência de algumas irregularidades necessariamente importarão em nulidade do procedimento. Posiciono-me negativamente”, afirma o magistrado na decisão.
Para Wagner Ramalho Procópio, a proibição da entrada de aparelhos celulares é uma medida preventiva e a violação parcial dessa regra não coloca o concurso em xeque. Em relação ao argumento do MPPE de que, além das pessoas que foram detidas, outros fraudadores poderiam ter se esquivado da polícia, o magistrado classifica como “mera ilação”.
O juiz também leva em conta os efeitos da anulação do concurso para os mais de 4 mil candidatos que ainda permanecem na disputa das 2.100 vagas para soldado. Esse foi o maior concurso da história da segurança pública de Pernambuco, com mais de 100 mil inscritos. O governo do Estado informou, através da assessoria de comunicação da Secretaria de Administração, que só vai se pronunciar sobre o pedido do Ministério Público e a decisão da Justiça após ser notificado oficialmente.

ISSO É UMA ZONA
PEDIDA SUSPENSÃO DO CONCURSO DA PM

Em qualquer país sério passar em um concurso é ter garantido seu emprego ou mesmo fazer um concurso é saber que está sendo mesmo avaliado em seus conhecimento e que passe realmente aquele que mais se preparou, mas no Brasil não é isso que acontece, há pessoas que vivem e fazem disso uma indústria, vivem da vulnerabilidade desses concursos, vivem da corrupção dos que deles fazem parte, vivem da desorganização das instituições responsáveis pela elaboração desses concursos. É um absurso, a população tem assistido, toda vez que tem um concurso, no outro dia, tem manchete nos jornais sobre as "safadezas" deles. Agora assistimos o ministério público de Pernambuco solicitar a suspensão do concurso da PM. Vamos a matéria:

"Judiciário deverá citar o Governo do Estado, que terá três dias para justificar-se"

Depois de várias incertezas, denúncias e prisões, o destino do polêmico concurso público para soldado de Polícia Militar, realizado em novembro do ano passado, parece seguir para um desfecho. Isso porque na tarde de ontem, o promotor do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Eduardo Cajueiro, ingressou uma ação civil pública no Tribunal de Justiça, pedindo a suspensão do concurso até que seja realizada uma nova prova objetiva do certame. O pedido foi de tutela antecipada. O Judiciário deverá citar o Governo do Estado no processo, que terá três dias para justificar-se. Para o exame, 103.015 pessoas se candidataram a uma das 2.100 vagas oferecidas. O salário é de R$ 1,2 mil.

CAJUEIRO:  “Ficou comprovado que candidatos entraram nos locais de provas portando celulares e outros aparelhos”

A decisão de “comprar a briga” partiu de denúncias de candidatos que se sentiram lesados após a aplicação do exame em decorrência das fraudes e prisões. Na prática, o pedido de anulação do MPPE faz com que todas as etapas seguintes da seleção sejam invalidadas até que uma nova prova seja aplicada. “Dias após a realização da prova, o MPPE publicou uma recomendação no Diário Oficial, indicando a suspensão, mas o Estado não acatou, dando continuidade a selação”, afirmou Eduardo Cajueiro. Atualmente, o certame encontra-se na etapa de exames psicotécnicos.
O processo do MPPE acumula dois volumes e dez anexos, contendo mais de mil páginas. De acordo com Eduardo Cajueiro, durante os dois meses que o MPPE investigou o caso, ficou comprovado a existência de um “elaborado esquema de fraude” na prova objetiva. “Ficou comprovado que candidatos entraram nos locais de provas portando celulares e outros aparelhos eletrônicos, contrariando o diz o artigo 4.10.5 do edital, que veda o ingresso de pessoas dos locais com tais objetos”, explicou o promotor.
“A IAUPE (Instituto de Apoio à Fundação Universidade de Pernambuco, responsável pela aplicação da prova) não tomou as devidas providências de segurança para impedir a entrada dessas pessoas”, completou o promotor. “O que queremos é que as pessoas envolvidas na fraude sejam expurgadas do processo”, justificou. O coordenador da Comissão de Concurso da Universidade de Pernambuco (Conupe), Glêdston Emerenciano, afirmou que o órgão tomou toda as medidas possíveis para garantir a lisura do exame. “Cumprimos todas as providências a nosso alcance. A investigação da Polícia Civil decretou que a fraude foi sanada”, reservou-se a explicar.

PROCESSO

Para o promotor, até que se conheça o mentor dessa fraude, o MPPE não tem garantia de que outras pessoas foram beneficiadas com a fraude. “Alguns candidatos foram pegos por acaso”, adicionou. No decorrer do processo de investigação, o MPPE ouviu 28 candidatos que ingressaram com representação no órgão. “Nossa decisão baseou-se nas investigações da PC, laudos periciais que comprovaram recebimentos de mensagens em celuares com o gabarito, além da apreensão de aparelho de um recepção de dados”, detalhou. “Na época, a própria SDS (Secretaria de Defesa Social) reconheceu a fraude”, concluiu.

No dia do exame, realizado em 22 de novembro do ano passado, dez candidatos foram presos. Um deles foi o estudante Amauri Dias Amorim, 25, que fugiu com a prova na mão. Ele foi detido por agentes da Delegacia de Petrolina. Dos quatros inquéritos policiais abertos na época, dois ainda não foram concluídos. Consultadas pela reportagem, as secretarias de Administração (SAD) e Defesa Social informaram que não foram acionadas formalmente pelo MPPE e pela Justiça e não pronunciarão sobre o caso até que sejam notificadas pelo poder Judiciário. Até lá, o processo de seleção do concurso público continua.

 

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